quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Conto - "O Sonho de Marie"

Example ( Ilustração por João Miguel )

Sete horas da manhã. Marie levantou-se da cama, despiu sua pele de seda, amassada com a noite anterior, inquieta e opaca. Fez sua crônica matinal ainda nua. Sentia-se embriagada, entorpecida, junto a uma sensação de ter dormido não mais que alguns minutos. Foi quando começaram os delírios.

Caminhou até a porta do quarto. Sentiu o odor acre do suor seco impregnado em sua pele. Uma última espiada no quarto e reparou no homem que ainda dormia em sua cama. Adentrou na sala, receosa e tépida, como uma aventureira que entra numa caverna escura e virgem. De repente, uma escada prateada conduz Marie ao andar seguinte, onde há uma porta entreaberta. Nua, ela desliza seus passos sobre os degraus. Hesita em escancarar a porta, então somente bisbilhota pela fresta iluminada o que se encontrava do outro lado.

Viu um homem e uma mulher trocando intensas carícias. O homem está arranhando a pele jovem e rosada, como quem celebra sua presa, seu prêmio, e certifica-se que ninguém mais a possuirá senão ele. A mulher, mesmo que submetida a dolorosas gasturas e arrepios, corre com a ponta dos dedos os ombros e costas, acariciando-o terna e amavelmente. Marie ao ver aquela cena sentiu vibrar seu ventre. Algo borbulhava no interior de sua barriga. Foi quando teve a certeza de que estava grávida.

Então todo o sólido chão desfez-se. Sentiu uma levitação que a empurrou contra a porta, caindo num precipício impalpável que se aprofundava num chão de luz clara e ofuscante. Só quando o brilho prateado diminuiu ela pôde ver a cena mais estrondosa de sua vida: duas pessoas em volta de uma cama antiga, contemplando uma mulher dando a luz a uma criatura que, mesmo sem nunca tê-la visto, Marie sabia ser seu filho. Estranhamente essas duas pessoas apenas olhavam e não ofereciam nenhuma ajuda, enquanto a mulher, berrando de agonia, paria seu fruto já maduro. Marie começou a chorar, a rezar e chorar mais, desejando que todo aquele parto se abreviasse para que ela pudesse protejer seu filho, mas sua cabeça e membros pesavam uma tonelada e ela não conseguia se mover.

Foi quando a mulher soltou seu último suspiro e forçou a criança para fora de seu corpo, expelindo-a numa bacia posta entre suas pernas. Nesse momento um dos dois que estavam observando adianta-se e com uma faca, de aspecto bruto e enferrujado, corta o cordão umbilical em dois pontos distintos, um perto do umbigo da criança e outro já na saída do corpo da mulher. O outro expectador, antes imóvel, também se adianta e toma o recém-nascido em seus braços. Embrulha-o num lenço negro de seda, enquanto o outro estende o fragmento de cordão umbilical e entrega-o a mãe, que o recebe apavorada. Os dois viram as costas e desaparecem na escuridão.

A mulher na cama permaneceu congelada em sua expressão de horror. Marie gritou. Gritou desesperadamente. Gritou com o cerne da intenção desesperada e entristecida. Sangue jorrou em suas pernas. O mundo começou a silenciar. Marie agora gritava em silêncio, alguém excluiu o som de sua voz do mundo. Piscou os olhos para derramar as lágrimas acumuladas e baque! Estava deitada em sua cama novamente! O relógio de cabeceira marcava exatamente seis horas e cinqüenta e nove minutos. Ela retomou a consciência. Deu um gemido baixo a fim de atestar se sua voz ainda existia. Ao seu lado ainda dormia o mesmo homem que enxergava em seu sonho, por entre a fresta da porta entreaberta. Apaziguou-se. Mais um olhar ao homem e sorriu discretamente. Sentiu o ventre vibrar.

Crônica - "Dentada"

Com minhas patas de leonino abro os olhos. O mundo está zunindo ao meu redor, como um primeiro passeio numa densa mata tropical. Algo me convence a despertar sempre mais. São os raios tímidos de um pôr-do-sol africano. Logo vejo que fui confortavelmente colocado num ninho tépido, feito de pedras e capim.

Uma força incontrolável me excita, mal posso suportar a agonia. É a fome, fome! A última vez que comi foi quando mãe leoa caçava pela manhã. Escalo a lua com meu pescoço, meus membros são frágeis enquanto descanso meu corpo n'areia morna. Mas o instante foi pouco.

De inimigos aproximando-se roucos, sinto o som de rugidos odiosos. E uma cegueira inexata, inexplicável, sobre minhas pernas não param de fazê-las tremer. Mas eu não entendo nada da vida, somente acabei de nascer. Mal tenho juba. Um dia ainda serei um dos mais belos do bando, pois minha juba será a maior de todas!

Enquanto isso meus parentes parecem em guerra e voam pelos ares ao meu redor. Minha mãe certamente está na retaguarda, guardando-me da fúria de alguma besta. Um ataque a mim e ela morreria. Morreria se nada fizesse. Mas que asneira, ela não foge, nunca foge. Ninguém toca o meu corpinho.

De bem longe em minha face encostam os ventos vindos daquela montanha próxima. Tenho sede de leite, mas mãe leoa logo vem... Não demora. Não demora. Ouço gritos sofridos, devagar se aproximando de mim, e o ar parece pérola.

É nesse momento, inseguro e ansioso, que escuto um breve e desesperado rugido, o qual de minha mãe, dessa vez eu tinha certeza, tinha partido. E o instante foi pouco, ligeiro. Quase nada.

Que azar! Que má sorte a minha! Morrer tão cedo de uma dentada.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

(Um quarto escuro, bem mobiliado. Na cama dorme um homem. Ele está agitado, suando frio, expressando claramente passar por um pesadelo. O foco da camera aproxima-se de seu rosto. Ele geme de agonia, contorcendo-se de um lado para o outro. Um ruído agudo inicia-se. Este ruído é desesperador, a situação estremecedora. Após alguns segundos de intenso pânico, ele abre os olhos ao máximo, olhando fixamente para a câmera com um olhar de absoluto terror).

O homem dá um berro estridente e horripilante. Só então o expectador tem uma visão objetiva do que ele vê: Ele mesmo. Expressando ódio em seus olhos. Em posição de ataque, bem próximo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Roteiro - "Separação"

(Preto e Branco) (Cena única)

(A situação se passa num quarto levemente mobiliado, com uma cama de casal no meio. As personagens são Lívia e Flávia, ambas deitadas na cama, uma de frente para a outra, com os rostos bem próximos. Olhando nos olhos elas permanecem caladas. Ambas as expressões são sérias e melancólicas ao mesmo tempo.)

(O enquadramento é um close nas cabeças que estão bem próximas, quase tocando as pontas dos narizes. A variação do enquadramento é uma visão superior, inclinada e reta da cama, que ofereçe uma visão de corpo inteiro.)

Após se olharem por alguns minutos, quase sem piscar os olhos, o silêncio entre elas é rompido. Lívia cai em choro desesperado, levando as mãos ao rosto.


- Eu não quero ficar sem você.

Flávia permanece muito triste, porém sem derramar uma lágrima. Ela então, bem devagar, leva sua mão esquerda ao rosto de Lívia. Lívia olha para ela, seu rosto está todo molhado de lágrimas.

- Lívia, eu preciso ir nessa viagem. Serão somente alguns meses, e...
- Se você for, não vai voltar. Vai ficar por lá.

Elas se olham nos olhos fixamente, até que Flávia desvia o olhar para baixo.

- Eu...

Ouve-se uma buzina de carro, seguido por um grito de homem na janela: "Flávia!"

- Ele chegou. Preciso ir.
- Você não me ama mais?
- Lívia...
- Diz a verdade!

Flávia assume uma expressão decisiva, porém muito triste, quase chorando.

- Não. Eu não te amo mais. Pelo menos não da mesma forma que você me ama, está certo? Estou indo.

(O enquadramento volta ao superior, onde temos uma visão de Flávia levantando e sentando-se à beira da cama, de costas para Lívia. Ela pega sua bolsa sobre o criado-mudo, pensa por 3 ou 4 segundos, e ouve novamente o grito de seu nome. No mesmo instante, ela ergue-se da cama deixando o quarto sem olhar para trás. Lívia permanece imóvel na cama, chorando de olhos fechados.)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Roteiro - "Um brinde à lama"

(Colorido) (Cena única com Flashback)

(A cena a seguir retratada acontece num boteco lotado, no período da noite, entre 8 e 10 horas. Os personagens são os compadres Almir e Cláudio, 42 e 43 respectivamente.)

(Almir se aproxima por entre as mesas. Cumprimenta seu compadre Cláudio, já sentado à mesa acompanhado por uma garrafa e um copo de cerveja pela metade. Almir se aproxima muito transtornado. Logo começa a desabafar.)


- Porra, Cláudio... Que merda...
- O que é isso, homem? Credo! Você parece esgotado, cara. Pegue um copo pra você! Senta aí!

(Almir senta-se olhando para todos os cantos da mesa, frenético.)

- Conte-me o que aconteceu, compadre!
- Você nem imagina...

Cláudio acende um cigarro.

– A Val acabou de me enxotar de casa. Deu-me um pé na bunda... Daqueles... Lógico que eu sai muito puto.

Almir olha para baixo. Cláudio estende a mão em sinal de apoio.

- Ela devia estar furiosa! O que você aprontou, seu cachorro?
- Cláudio, eu nem tive tempo de colocar uma roupa melhor! Esqueçi minhas chaves! Nem amarrei os cadarços direito!
- Mas isso tudo por causa de quê, porra?

Almir serve um copo cheio, dá um longo gole e o abandona lentamente na mesa. Cláudio percebe o silêncio.

- Digo... Por causa de quem?
- Ingrid...
- Sua secretária?
- Sim. A-minha-secretária.
- Caralho, Almir...
- Uma ninfeta, velho.
- Caralho, Almir.
- Pois é...

Neste ponto os dois compadres permanecem em silêncio por alguns minutos. Almir atento a fumaça do cigarro de Cláudio.

- E agora? - Cláudio interrompe.
- Não sei, me sinto estranho. Parece que descobri o quanto amo a Val.
- E o que vai fazer?
- Merda!

Almir chuta com o calcanhar uma cadeira vazia próxima.

- Me dei conta que a Valéria é a mulher da minha vida...

Ele puxa um longo trago arrependido. Os dois permanecem calados por alguns segundos. Almir a olhar tristemente para o centro de seu copo. Cláudio o observa, pensativo.

- E o que você pretende fazer a respeito?
- Não sei... Por enquanto minha única vontade é beber... –
- Ora, bebamos então, compadre!

Eles brindam os copos novamente cheios e tornam a virar de um gole só!

- Ah...!
- Ah...!
- Val...
- O que tem ela?
- Lembrei de um dia...
- Que dia?
- Tome, fume um cigarro.
- Pois sim, que dia?

Almir acende com um fósforo. Puxa um longo trago, em seguida solta a fumaceira toda. Cláudio, com a sinceridade de um amigo, retoma:

- Bom, um certo dia, na casa da melhor amiga dela, a Roberta, algo raro aconteceu...

O garçom surge e troca a garrafa vazia da mesa por uma cheia. Cláudio interrompe mas depois retoma.

- Era uma festa. Eu tinha sido convidado pela Val e você não quis ir comigo! Acho que nesse dia vocês estavam chateados, um com o outro.
- É, eu lembro. Nós tínhamos discutido a tarde toda por uma idiotice minha. E como foi a festa?
- Bem, não me lembro com detalhes, mas tinha cerveja e tequila de graça!
- É por isso que não te lembras! Conte-me logo por que esta estória te lembrou a Val?
- Calma! Eu já ia contar. A Valéria, visivelmente bêbada, simplesmente chegou para mim e disse:

(Flashback)

- “E aí, Cláudio! Veio com o Almir?”.
- "Não, ele preferiu ficar em casa hoje. Pediu pra você ligar pra ele mais tarde!"
- "Beleza! Eu vou ligar para aquele figura!"

Ela hesita, mas o álcool a denuncia:

- "Cláudio, diz pro Almir que eu o amo muito, mais que tudo, para caralho! Diz para ele que é o amor da minha vida!"
- "Eu sempre soube que vocês foram feitos um para o outro. Eu nunca vi o Almir dizer coisas que ele diz sobre você. Parece que ele gosta de deixar claro a todos o amor por você!", Cláudio diz com um sorriso enorme.
- "Espero que ele tenha certeza disso... Te vejo depois!"

Almir permanece pensativo.

- Ela sempre foi louca por você, Almir. Creio que ela pode perdoar você de alguma maneira.
- Mas que diabos você quer dizer com isso? Você pode fazer o tempo voltar atrás, e me dissuadir de me agarrar com minha secretária, ex, se eu um dia voltar com a Val.
- Calma... O que quero dizer é que uma garota de 19 anos pode não ser tão ameaçadora para uma mulher feita como a Val. Se você jurar que a ama e demonstrar ela certamente pensará a respeito. O que você acha?
- Sei lá, Cláudio... Ela parecia bem determinada...
- Todas parecem! No fundo ela gosta de você!
- Sei lá, Cláudio...

Outro gole em conjunto.

- Veja só. Você quer realmente terminar o casamento?
- Claro que não! Ela é a mulher da minha vida eu já disse, ou era... nada, pelo que me parece, pode mudar o que aconteceu hoje...
- Claro que pode!
- Como?!
- Você vacilou em deixá-la descobrir, Almir!
- Ainda não consigo ver nenhuma solução nisso.

Compadre Cláudio enche os copos.

- De uma forma ou de outra você vai ter que compensar o sofrimento dela para ser aceito de volta. Mulher nesse estado quer mais é ver o homem se jogando na lama por ela...
- Na lama?
- É. Para provar o seu valor! Isso faz sentido para elas.
- Valor? Valor de porco?
- É só assim que elas voltam. É, você sabe... logo vêm com aquele jeitinho mudado, provocante, resignado... E então tudo voltará ao normal!

Neste momento Almir olha ao longe e proclama:

- Farei tudo para provar meu valor!
- Ótimo! Eis então o que deves fazer...
- Diga lá, compadre!
- Tens que se jogar na lama e pedir pelo seu perdão!
- O quê? Isso não foi uma metáfora?
- No seu caso, meu querido, não é bem assim. Jogue-se bêbado e arrependido em seu canteiro no quintal! Você o regou ultimamente?
- Hoje mesmo, pela manhã, antes da Val acordar e ver a marca do batom da Ingrid em minha camisa branca... Parece coisa de novela das oito, hein?
- Sim. Em todo caso, deve haver lama o suficiente no seu quintal, Almir. Só o sofrimento constrói! Mas não se preocupe! Resta-nos agora a parte fácil do plano!
- Que parte? Que plano maluco é esse?!
- GARÇOM! Desce várias doses da branquinha aqui pro meu camarada! O mesmo para mim!
- Ora... Compadre... O que você pretende com isso...
- Salvar seu casamento, ora bolas! Vá atrás do seu amor! Ela o espera em casa!
- É...?
- É. Mas antes tome essa cachaçinha comigo, velho!

Cláudio cai na gargalhada.


- Tem razão... - Almir parece ter descoberto o fogo.
- Não tenho?! - Cláudio quase sem ar.
- Tem razão, Cláudio! Por Deus, Cláudio, acho que já entendi!
- Então se adiante, meu amigo! Um brinde à lama!
- Viva!

E brindam os copos num som de vidro trincado, seguido de um longo gole ardente.

Roteiro - "Ator"

(Colorido) (Cena única)

(O ambiente é um quarto rústico porém muito bem arrumado. A cama é de frente para uma enorme janela com cortinas brancas. O adolescente tem cerca de 14 anos. O pai, 53 anos).

(A cena se inicia com o menino dormindo profundamente. O pai chega e abre as cortinas. Uma enorme claridade invade o quarto. Ele deita-se na cama e espera calmamente o filho despertar. O menino desperta e encosta na cabeçeira da cama, esfregando os olhos).


- Dormiu bem?
- Sim.
- Gostou do almoço?
- Sim.
- Bom, acorde pois o dia ainda está muito bonito.

(O filho dá um longo bocejo, pensa um pouco e lembra-se de uma pergunta que gostaria de perguntar há algum tempo).

- Você já foi ator?
- Há muito tempo atrás.
- Quanto tempo?
- Eu devia ter uns 18 ou 19 anos.
- Como era?
- Legal. Eu me lembro quando interpretei Hamlet, de Shakespeare. Você conheçe essa história?
- Não muito, mas conheço Romeu e Julieta.
- Ah sim! A história daquelas duas famílias que brigam entre si, você lembra o nome?
- Não.
- Eram os Capuletos e os Montecchios.
- É verdade. O que mais você lembra da sua época de ator?

(O menino permanece na mesma posição. O pai deita-se de lado apoiado no cotovelo).

- Faz muito tempo, Joãozinho.
- Qual foi sua primeira peça?
- Bom, essa eu lembro. Foi Adão e Eva, que eu interpretava com uma amiga.
- Amiga?
- Sim.
- Como ela era?
- Linda. Belíssima. Ela já tinha experiência com algumas peças de teatro, mas para mim foi o primeiro ensaio sério.
- Como foi o ensaio?
- Eu lembro até hoje. Foi assim, eu havia lido os textos e combinado de ensaiar na casa dela de tarde. O mais legal é que decidimos interpretar à maneira mais realística possível!
- Como assim? Não entendi.
- Bom, Adão e Eva andavam nús no paraíso, não havia roupas.
- E você ficou peladão na frente dela?
- Sim. Eu cheguei em sua casa, nós lemos o roteiro todo e começamos o ensaio. Tiramos toda a nossa roupa.

(O pai fica calado por alguns segundos pensando).

- Foi a primeira vez que eu transei de verdade!, disse caçoando.
- Caramba, foi a sua primeira vez?
- Sim.
- Que legal.
- Nós namoramos pelados a tarde toda, criamos uma intimidade ótima para interpretar nossos papéis.
- Qual foi a última peça que você interpretou?
- Não lembro. Talvez tenha sido um concurso no qual cheguei a final com outro candidado a um papel em não sei qual peça da época.
- Você ganhou?
- Não.
- Quem foi o escolhido?
- Foi um cara que hoje faz sucesso como ator de teatro.
- Você ficou triste?
- Não me lembro. Creio que não. Na época eu sabia que gostava mesmo é de dar aulas.
- E hoje em dia você é professor! Mas por que desistiu de atuar?
- Bem, não necessariamente. O professor muitas vezes precisa ser ator.
- Vamos jogar bola lá fora?
- Vamos.